sexta-feira, 23 de maio de 2014

Têxteis com massa cinzenta

O que é que tecnologia médica, o desporto e os equipamentos de proteção individual têm em comum? São sectores onde ao grande impulso da inovação veio juntar-se um investimento igualmente elevado para desenvolver soluções com sensores têxteis que permitam manter e até melhorar o desempenho.

No Instituto de Tecnologia Têxtil e Engenharia de Processos em Denkendorf, dois projetos de investigação apoiados pelo Ministério da Educação e Investigação da Alemanha envolvem vários sensores diferentes. O projeto líder, denominado “SensProCloth”, concerne «o lançamento de vestuário de proteção com sistemas de sensores integrados para unidades de bombeiros e unidades de resposta a acidentes», enquanto o segundo projeto, batizado “iBePol”, deriva do primeiro como «vestuário operacional inteligente para polícia e forças de segurança». Os objetivos gerais de ambos são usar vestuário de proteção com sistemas integrados para captar e transmitir continuamente informação sobre parâmetros vitais, atividades, condições ambientais e eventos, para além de dar aos serviços de emergência comunicação e transferência de dados para as unidades de bombeiros e unidades de resposta a acidentes. Além disso, os sensores devem ajudar a determinar a localização dos serviços de emergência em edifícios e no terreno e numa emergência permitir a avaliação médica de uma condição através dos serviços de emergência, para que possa ser dada assistência a tempo. Além disso, o sistema de comunicação e monitorização deve ajudar à tomada de decisões do controlo operacional móvel.

Todos os sensores para captar os parâmetros vitais estão contidos numa t-shirt que é usada em contacto com a pele. Os parâmetros vitais recolhidos incluem batimentos cardíacos, respiração, temperatura corporal e nível de atividade. A temperatura ambiente no exterior do vestuário é medida para determinar os parâmetros ambientais e são usados parâmetros óticos de gases perigosos. Estes dispositivos de sinais óticos estão também localizados fora do vestuário. O nível de risco é assinalado por uma luz LED com três cores e uma campainha. Quando o vestuário de proteção completo foi submetido ao teste Thermo-Man, envolvendo oito segundos de exposição a um incêndio com 1.000ºC, não houve qualquer impedimento à função de proteção do sistema de sensores. Depois do teste, todos os sensores e LED’s funcionavam perfeitamente. Num contentor foi mostrado que os sensores também medem temperaturas superiores a 250ºC. Foi possível medir consistentemente os batimentos cardíacos e a avaliação subsequente das curvas do ECG mostraram que a qualidade dos dados é elevada. Mesmo a parte metálica do contentor não impediu a comunicação. O projeto “iBePol” aproveita estes desenvolvimentos e pretende-se que seja usado em sistemas de vestuário tanto civis como para proteção. Também se pretende que integre sensores para substâncias perigosas.

A Forster Rohner, por seu lado, está a usar uma tecnologia têxtil antiga para criar têxteis altamente inovadores com máquinas de bordar ultramodernas. A empresa suíça concebe têxteis funcionais com base na tecnologia de bordados. Exemplos disso são a produção de superfícies sensoriais de base têxtil, elementos de aquecimento e estruturas de antena, para além da incorporação de LED’s e células solares. Estes produtos são sobretudo resultado de um desenvolvimento cooperativo e em grande medida estão sujeitos a confidencialidade.

Já a empresa Alpha-Fit desenvolveu uma meia que incorpora fios que são ao mesmo tempo condutores e capazes de fazer medições em determinados pontos para criar uma ferramenta de diagnóstico usada com calçado ortopédico destinado a pessoas diabéticas. Ao contrário dos modelos anteriormente desenvolvidos, é possível captar a distribuição da pressão em 3D e mostrar as pressões relativamente dinâmicas que atuam sobre todo o pé quando se caminha. Usando estes dados precisos, os produtores de calçado ortopédico podem produzir sapatos que têm largura suficiente e apoiam pontos críticos para evitar os efeitos negativos do pé diabético.

O exemplo desta meia demonstra não só a vasta gama de potenciais aplicações dos sensores têxteis, mas também quão importante é a cooperação interdisciplinar nesta indústria. Os parceiros neste desenvolvimento incluem nomeadamente a empresa Novanex de Leipzig, que ajudou a Alpha-Fit em termos de design, desenvolvimento de produto, investigação e marketing. As empresas estão atualmente a trabalhar em conjunto em soluções de mapeamento corporal que ilustrem a distribuição de pressões no corpo à medida que a pessoa se movimenta durante a prática de desporto de alta performance, para que potencialmente possa dar novas informações para o design de vestuário de suporte.

O que foi iniciado pela Alpha-Fit no campo da tecnologia médica pode também ter outras aplicações. A adaptação dos sapatos de ski pode ser uma dessas aplicações. Os esquiadores conhecem a “dor” nos pés, que são obrigados a aguentar por longas horas. Outras áreas de aplicação incluem tapetes de pressão para medir a distribuição da pressão quando alguém se deita no tapete. Neste caso, sensores têxteis “bom sono” reagem à dureza ou suavidade da camada inferior. Os assentos das bicicletas e cadeiras de rodas são outras áreas de possível aplicação a curto prazo. 

Fonte: http://www.portugaltextil.com/tabid/63/xmmid/407/xmid/43357/xmview/2/ID/43357/Default.aspx

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