terça-feira, 23 de setembro de 2014

Empreendedor deve ficar atento às tendências do mercado

Empresas podem promover alterações nas rotinas internas que resultam em mais produtividade e redução de custos
Nas décadas de 80 e 90, as videolocadoras estavam em alta. Porém, com o tempo, o setor passou por várias mudanças: a pirataria ganhou força, os anos 2000 trouxeram o crescimento da lv paga, houve a popularização da internet e dos serviços on-line de aluguel de filmes, fatores que mexeram com os hábitos dos consumidores.
A clientela diminuiu drasticamente e muitos estabelecimentos tiveram de fechar as portas. O empresário que percebeu a transformação partiu para outro ramo ou adaptou sua loja, apostando, em alguns casos, na segmentação ou agregando a oferta de outros produtos para ganhar sobrevida. Ainda encontrarmos heróis da resistência na praça, mas certamente este ramo nunca mais recuperará o espaço que um dia teve.
Além do exemplo citado, as lojas de CDs estão em igual situação. Por isso, ficar atento às tendências é vital para o empreendedor. Quem se dá conta do que vem pela frente tem muito mais chance de driblar as dificuldades. Entender as tendências é fundamental para evitar investir em um mercado em queda, além de possibilitar a identificação de oportunidades. Para fazer isso é preciso estar bem informado.
Tornam-se práticas obrigatórias acompanhar as açôes de concorrentes, de fabricantes, visitar feiras e eventos relacionados, observar o desempenho de novos produtos e serviços no mercado, assim como as modificações na sociedade e na economia em geral. O próprio público-alvo deve sempre ser olhado com cuidado.
As pessoas envelhecem, passam por fases e têm desejos e necessidades diferentes ao longo da vida. Quem são seus clientes? O que compram? Por que compram? Que valores buscam no que adquirem? O que agrada hoje pode ser rejeitado ou dispensável amanhã. Confiar apenas na percepção é arriscado, portanto, repito: informação é vital.
As tendências também se aplicam a processos. Empresas podem promover alterações nas rotinas internas que resultam em mais produtividade e redução de custos. Ao ser replicado, o modelo aponta uma tendência no modus operandi de determinado segmento e não acompanhar o movimento pode significar perder competitividade.
 
Portal Sebrae SP

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Os quatro pilares do vestuário na criação de coleções

Sempre que criamos uma coleção devemos pensar que ela deve apresentar algum diferencial, pode ser em relação a estética, no conforto (psicológico, sensorial e termo fisiológico), na ergonomia, na funcionalidade, em termos de inovação, matéria-prima ou tecnologias. Uma das maneiras é sempre pensarmos nos quatro pilares do vestuário: a cor, a forma, a textura e a matéria-prima. Mas como? Devemos sempre pensar qual delas queremos trabalhar ou se trabalharemos todas elas. Vou apresentar alguns exemplos.
Quando opto por não usar a cor como o diferencial, preciso usar outros recursos. Nestes exemplos temos a forma, ou seja, a modelagem como diferencial nas peças.
 
 
Este exemplo temos o cinza e o vermelho como cores, então a cor também não é o foco da criação, mais uma vez a forma, com assimetrias e modelagem amplas, são o destaque das peças.
 
 
Neste exemplo apresento looks que tem mistura de diferentes estampas e cores. Neste caso usamos dois pilares: a cor e a textura. Esta mistura nos permite criações muito interessantes. Nota-se então que a modelagem neste caso não é o foco.

 
A textura neste exemplo é trabalhada em forma de aplicações e estampas, elas são o foco das criações.
 
 
Essa forma de pensamento é muito útil no momento da criação de produtos de moda, ele nos permite focar em um diferencial e conseguir manter essas características em todos os produtos. E também é um ótimo exercício criativo.
Por Julia Picoli
Docente no curso de Moda da Feevale e consultora de produto de Moda
http://textileindustry.ning.com/

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Principais tendências para Primavera/Verão 2015

O verão 2015 pede cores e looks quentes.

1 - Volume Máximo


2 - Artsy lady


3- Metal Fresh


4 - Exuberância Latina


5 - Onda Natural


6 - Geometria Amplificada


7 - Sex appeal


8 - Esporte Chic


Fonte: www.mdemulher.abril.com.br

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Tendência: O retorno triunfal do Peplum para o Verão 2015

Na estação mais quente do ano, o Peplum se fará presente em modelos que variam entre classicos, exuberantes, fresh e coloridos, portanto, apostem sem medo.

Derek Lam Resort 2015
A temporada de Verão 2015 no Fashion World apresenta muitos contrastes: se de um lado, existem contorno amplos, andróginos e esportivos, do outro observamos um perfil ultra feminino que evoca o retrô e uma trend ladylike moderna, invadindo as coleções dos grandes nomes da moda.

Dentre elas, um elemento conhecido de outras temporadas se destaca: o Peplum, tecido em forma de babados sobressalentes, ora em blusas, ora em vestidos e saias. Ele foi eternizado na década de 40 e anos depois se adéqua a estética atual da época inserindo elegância e feminilidade às produções urbanas
Ellery Resort 2015
 
Na teoria fashion das passarelas ele já não se abrevia apenas às modelagens ajustadas e acinturadas, ganhando agora volume e se estendendo a acessórios como os cintos em uma ideia tão singular quanto às novas modelagens apresentadas nas coleções resort, onde repaginado, ele surge em formas oversized e volumosas.

Porem, na prática, o Peplum é um elemento contraditório que pode tanto aumenta a região dos quadris como disfarçar uma barriguinha saliente. Portanto a primeira regra para usa-lo é ter em mente seu biótipo para deixar assim o look harmonioso, mas ressalto que mulheres com quadris largos devem evita-lo já que o detalhe evidencia a região.
 
Ellie Saab Resort 2015
• Se você esta acima do peso, invista em combinações de cores sóbrias com o preto ou marinho, sempre básicas e atuais.
• Quem possui pouco quadril deve investir na trend, uma vez que ela afina a cintura e ainda aumenta visualmente os quadris, causando a ilusão de corpo violão.
• Ao escolher o detalhe em blusas, combine-as com calças de modelagem mais seca. A saia lápis também é uma ótima opção já que se ajusta ao corpo.
• Ao optar pelo detalhe em saias, invista nas de cintura alta que além de serem forte tendência, ajudam a alongar as pernas e afinar a região da cintura. Combine-as com blusas e tops mais secos.
• Ao escolher acessórios na hora de compor o look, você pode investir em um maxicolar ou maxibrinco que trarão um ar mais jovial e contemporâneo. Mas nada impede que sua escolha recaia sobre peças mais clássicas se a ocasião assim determinar. O importante é usar o bom senso na hora de escolher as peças, pois como o Peplum é o ponto focal do look, o ideal é deixar a atenção concentrada somente nele.
• Ao optar por peças mais ajustadas, evite usar fendas ou croppeds, pois o Peplum já emite a sensualidade necessária que você precisa, já que evidência as curvas do corpo. Para não errar, invista no estilo minimalista, assim, com toda certeza você ficará elegante na medida.
 
Andrew GN Resort 2015

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Moda plus size: grande também é fashion

Considerando que mulher tem curvas de todos os tamanhos, a moda plus size chega para quebrar tabus mesmo em tamanho GG.

A moda plus size vem ganhando cada vez mais espaço não só nas passarelas como nas ruas. Hoje encontrar uma roupa com tamanho a partir do número 44, apesar de difícil não é mais impossível e mulheres e homens que se enquadram nesse padrão podem contar com roupas exclusivas para números grandes e eventos de moda próprios como o São Paulo fashion Weekend.
Apesar de o plus size defender que a real beleza feminina é feita de curvas de todos os tamanhos, a oferta de roupas de manequins maiores não é a solução de todos os problemas. De acordo com a consutora de moda Taynara Johhan, ainda existe muita gente que acredita que plus size é apenas para senhoras, feitas com uma enorme quantidade de tecidos e sem estilo algum. “É muito bom ter moda plus size, mas ainda são poucas as opções e o que ainda se encontra são roupas sérias. Falta um mercado mais jovem, pois de acordo com pesquisa, mais da metade da população brasileira (51%) está acima do peso e esse número não é só de senhoras, e sim jovens que procuram roupas de acordo com sua idade”, disse a consultora.
Aliás, algumas proibições e tabus são o que não faltam dentro do plus size. Regrinhas de combinar e trocar estampa pelo preto estão cada vez mais caindo por terra. “Todo mundo pode usar tudo! A pergunta é: a quem você quer agradar? Se for a você mesma então você vai esquecer qualquer regra e usar aquilo de que gosta. Eu, por exemplo, amo listras e amo roupas claras”, explica Juliana Romano, uma das blogueiras mais famosas no assunto, que criou inclusive um projeto chamado #agordaeamagra em que prova que ambas podem usar tudo.
Em Maringá, muitas lojas já adotaram roupas de tamanhos maiores e aderiram à moda plus size. A modelo plus size Gisele Franceschini declara que já acha na cidade muitas lojas com seu tamanho nas vitrines. “As marcas vem evoluindo muito, e entendendo que a moda também existe para as gordinhas. Nós também usamos roupas diferenciadas e que está na moda. E a grande maioria das marcas plus size de Maringá já está entendendo este conceito”, disse a modelo.
Conhecer suas curvas, estar ciente dos pontos fortes (e daqueles que a gente prefere disfarçar) é o primeiro passo para se dar bem quando se está acima do peso, mas vale lembrar outros pontos importantes na hora de se vestir:
- Recortes e decotes são bem-vindos: Se um dos seus pontos fortes é o busto, pode caprichar no decote: para que fique chique, e não vulgar. Escolha apenas uma área do corpo para evidenciar.
-Estampas dão estilo e não engordam: Esqueça essa história de que gordinha tem que usar preto: as estampas são ótimas para dar estilo aos looks. O que faz diferença na silhueta são as modelagens que podem sim nos favorecer ou não.
-Tecidos leves e fluidos são ótimos parceiros de festas: Tecidos mais finos, como a musseline de seda, cujo caimento é fluido, valorizam a beleza de mulheres dos mais diferentes biótipos. Por ser cortado em várias camadas (em uma só o tecido é transparente), ele possui um caimento glamouroso sem marcar as formas.
-Drapeados estão liberados: Outro mito da moda para gordinhas: que não se pode usar drapeados. Desde que feitos em tecidos leves e não dêem mais volume os drapeados são bem-vindos sim e podem até jogar a favor.
-Branco pode sim: Não é cor que influencia no ganho de volume, mas sim a modelagem. Desde que a modelagem caia bem no corpo e valorize as formas tons claros estão liberados.
- Escolha um pretinho básico que a valorize: Decote V, mangas ajustadas, cintura levemente marcada e modelagem reta na região do quadril: esses detalhes compõem um vestido que equilibra a silhueta, valoriza as formas e é elegante para qualquer situação.
 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Nos 70 anos da Fiep, presidente Edson Campagnolo faz discurso de estadista

Se o presidente da Fiep, empresário de Capanema Edson Campagnolo, fosse candidato a presidente do Brasil, estaria com seu discurso de estadista na ponta da língua.
E a julgar pelos aplausos e cumprimentos que recebeu na noite do dia 18 de Agosto, quando da comemoração dos 70 anos da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, estaria respaldado por uma importante parcela da sociedade brasileira: a dos empresários e empreendedores do país.
Os candidatos a presidente da República, porém, não tocam nos pontos elencados por Edson, pontos que de certa forma estão latentes junto ao setor produtivo, mas longe das propostas dos pretendentes ao Palácio do Planalto para o período 2015-18.
Edson começou questionando o tamanho do Estado brasileiro. Não só na esfera Executiva e Legislativa, mas também do Judiciário.
"Somos todos trabalhadores. Mas quando nós, industriais, chegamos à Justiça do Trabalho, quase sempre chegamos como culpados. No Brasil, as indústrias gastam US$ 110 bilhões em litígios, por ano", denunciou.
Citou em seguida as reclamatórias trabalhistas de outros países, EUA, Japão, do continente europeu: tudo na casa do milhar. "No Brasil são 7 milhões de ações trabalhistas em tramitação", disse. "Será que somos tão ruins assim", ironizou. "Isso nos entristece, somos humilhados de tal maneira que muitos de nós desistem, ou vão investir em outros países", revelou.
Edson também questinou o porquê da vitaliciedade dos ministros dos tribunais. "A estrutura da Justiça Trabalhista custa 15 bilhões de reais por ano ao país", disse. "Por que juiz ou promotor precisa de auxílio-moradia? Quando a pessoa faz concurso ela sabe que pode ir para Capanema, e vai ter que se virar", comentou, citando a cidade sudoestina na qual cresceu profissionalmente.
Legislativo
Edson também, questionou o gasto público com câmaras de vereadores. "Poderia ser um trabalho sem salário, voluntário; hoje são apenas cabos eleitorais."
Foi muito aplaudido em diversos momentos de sua intervenção, também quando considerou "exagerado" os 39 ministérios em Brasília, quase 30 secretarias estaduais e cerca de 20 mil cargos de confiança do governo federal.
Edson também condenou a corrupção, lembrando que dados do Banco Mundial colocam o Brasil em posição  vergonhosa nesse quesito. Sobre infraestrutura, lamentou a situação dos portos, rodovias e ferrovias do país, sublinhando que a sociedade está cansada de promessas não cumpridas dos políticos - muitos aplausos.
"Vote bem"
"E teremos eleições!", exclamou, finalizando com a apresentação da peça publicitária do projeto da Fiep "Vote bem". A campanha, que tem a parceria da ONG Transparência Brasil e entidades representativas de classes, vai monitorar e publicar o perfil de cada candidato do Paraná, que vai concorrer nestas eleições. "São mais de mil candidatos no site. Prestem atenção naquelas informações. Não vamos mais perder as incríveis oportunidades que nosso país maravilhoso tem a oferecer".
Homenagens
A fundadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, Zilda Arns, e o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, foram condecorados com a honraria Pinheiro de Ouro.
Presidente da CNI desde 2010, Robson Braga de Andrade exaltou o papel dos empreendedores diante de dificuldades econômicas e de crescimento. "Todos nós, empreendedores trabalhadores, temos o ideal de construir um Brasil melhor e mais forte, com qualidade de vida. Ao olharmos para trás, vemos que melhoramos muito, mas que ainda há muitos desafios. Mas é importante reconhecer a força de cada industrial que batalha por melhorias todos os dias, ao se dirigir para seu trabalho. Sinto-me honrado por esta homenagem, desta importante federação", agradeceu.
A homenagem a Zilda Arns foi recebida por sua filha, Heloisa Arns Neumann Stutz. Morta durante um terremoto no Haiti, em janeiro de 2010, Zilda foi lembrada por sua trajetória de valorização das pessoas. "Ela mostrou que o pouco pode fazer muito e mudar a vida de muita gente, com um número grande de voluntários. Esta é a mensagem que fica de minha mãe - vamos refletir sobre o que a gente tem e que pode ser dividido com o  próximo - um conhecimento, uma ideia, um ideal", pediu Heloisa, em seu discurso de agradecimento.
Sudoeste
O Sudoeste esteve presente com algumas lideranças, como os empresários Edgar Behne (Marel) e Roberto Pécoits (Gralha Azul), o presidente da Acefb, Marcos Guerra, e o diretor da Associação, Juares Ribeiro. O superintendente do Sebrae Vítor Tiocheta também prestigiou.
Conhecidos na região, como Dimas Fonseca (que comandou o Sesc de Beltrão nos anos 90) e Paulo Apelles de Oliveira (que comandou o campus da UTFPR de Beltrão na década passada) - ambos atualmente trabalhando em Curitiba -  também estiveram na Fiep.
Entre as autoridades mais prestigiosas, o vice-governador Flávio Arns (PSDB), o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), os senadores Roberto Requião (PMDB), Gleisi Hoffmann  (PT) e Álvaro Dias (PSDB). O governador Beto Richa (PSDB) não compareceu porque tinha uma entrevista política na TV Record.
 
Abaixo estão os links do discurso em vídeo, na íntegra.

Discurso Presidente da FIEP - Parte I

Discurso Presidente da FIEP - Parte II

Discurso Presidente da FIEP - Parte III

Discurso Presidente da FIEP - Parte IV

Fonte: http://www.jornaldebeltrao.com.br/noticias/182163/nos-70-anos-da-fiep--presidente-edson-campagnolo-faz-discurso-de-estadista-/4







segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Atenção: Première Vision SP altera calendário

Se a edição de verão foi antecipada para novembro no Brasil, o inverno de 2016 ficará para maio na nova configuração estabelecida pelos organizadores no país.
Para ajustar o lançamento dos tecidos com o início dos trabalhos de desenvolvimento das marcas, a Première Vision São Paulo aproveitou a Copa do Mundo e realinhou o calendário. Se a edição de verão foi antecipada para novembro no Brasil, o inverno de 2016 ficará para maio, nos dias 12 e 13, na nova configuração estabelecida, explica Luana Cloper, show manager da Première Vision no Brasil.
Além do calendário, a Première Vision também está experimentado novos formatos de evento no Brasil, como o Weekend Textiles, realizado na sexta-feira, 22 de agosto, e no sábado, 23, na capital paulista. É a primeira vez que a empresa realiza um workshop, afirma Luana. Se a experiência funcionar como o planejado, existe a possibilidade de ser replicada para outros mercados, confirma a executiva.
Nesse primeiro workshop, a Première Vision trouxe a dupla de estilistas da Marques’Almeida para o dia dedicado ao denim, em parceria com a Canatiba; e a estilista finlandesa Satu Maaranen, em conjunto com a fabricante de seda brasileira Werner.
 
Por Jussara Maturo
 
 
 
 

Da contracultura à Alta-Costura: como o jeans conquistou o mercado de luxo

Prada investiu pesado no jeans em seu desfile masculino de Verão 2015 ©Reprodução/Facebook
Em 141 anos de vida, o jeans saiu das regiões mineradoras do Oeste dos Estados Unidos para conquistar o mundo. Hoje ele é quase onipresente: é usado tanto por trabalhadores rurais quanto por celebridades nos quatro cantos do planeta. Mas isso não é nenhuma novidade. O que muita gente não sabe é que esse domínio global só foi possível graças a uma história repleta de paradoxos, na qual o denim foi, ao mesmo tempo, símbolo de contracultura e matéria-prima de uma indústria global e bilionária, atingindo seu ápice nas últimas décadas ao se tornar artigo de luxo.
O livro “Blue Jeans”, de Daniel Miller e Sophie Woodward, narra a história recente do icônico material (já que suas origens vão mais longe no tempo, e remontam ao século 17 na França). Segundo os autores, quando o alfaiate Jacob Davis, de Nevada, nos Estados Unidos, foi convidado a confeccionar uma calça robusta e resistente para um lenhador local, ele teve a ideia de reforçá-la com rebites, que se mostraram extremamente duráveis.
 
Davis, no entanto, não tinha condições financeiras de patentear sua criação. Foi então que ele escreveu pedindo ajuda ao seu fornecedor, o comerciante de São Francisco Levi Strauss. “O segredo dessas calças são os rebites que eu coloco nos bolsos. Eu não posso fazer isso rápido o suficiente… Meus vizinhos estão com inveja do meu sucesso”, teria afirmado o alfaiate.
A Levi’s (como a calça patenteada ficou conhecida) feita de jeans tinha uma característica singular: ela desbotava e se ajustava ao corpo à medida que era usada. A peça, portanto, começou a se tornar popular não apenas por ser mais durável e confortável, mas também porque era capaz de contar histórias sobre o trabalhador que a usava e sobre o seu trabalho.
Até os anos 1950, o denim ficou restrito ao ambiente de trabalho, especialmente à região rural dos Estados Unidos. Mas isso começou a mudar graças a um empurrãozinho de Hollywood. Foi como símbolo da rebeldia encarnada pelos astros Marlon Brando, Elvis Presley e James Dean que a peça ganhou status pela primeira vez, saindo dos campos, ganhando as cidades e o guarda-roupa dos jovens da época.
 
Marlon Brando, em “O Selvagem” (1953), e James Dean, em “Juventude Transviada” (1955) ©Reprodução
Como bem lembra o livro “Denim: From Cowboys to Catwalks”, escrito por Paul Trynka, depois da Segunda Guerra Mundial, toda subcultura jovem adotou o jeans como parte de seu código de vestimenta – pense nos rockabillies, nos hippies, nos punks e, mais recentemente, nos grunges. E foi justamente essa versatilidade de adaptação a diversos estilos e culturas, aliada ao preço acessível, durabilidade e fácil manutenção, o grande trunfo da calça jeans, que finalmente se tornou um item tem-que-ter do casualwear em todo o mundo.
Daí para a entrada no restrito círculo do chamado “high fashion” foi um pulo. No fim da década de 1970, a Calvin Klein levou a peça pela primeira vez para a passarela, algo até então impensável para grande parte das pessoas, que via o denim ainda ou como uniforme de trabalho ou como roupa de jovens raivosos contra o sistema. Vale destacar também o papel fundamental da britânica Vivienne Westwood nessa história, já que foi ela que levou definitivamente a estética punk para o mainstream ao lado do seu companheiro Malcolm McLaren. A dupla ficou conhecida tanto por formar a banda Sex Pistols, ícone do movimento musical, quanto por vesti-la com peças repletas de couro, xadrez, alfinetes, correntes e, claro, jeans. Depois disso, Vivienne extrapolou as barreiras do punk e trilhou uma carreira muito bem sucedida no mundo da moda.
A rebeldia punk dos integrantes do Sex Pistols na atitude e nos looks criados por Vivienne Westwood e Malcolm McLaren ©Reprodução
Em 1980 e 1990, a indústria têxtil deu um verdadeiro salto tecnológico e o jeans ganhou novas lavagens, mais cores e a companhia de outros materiais, como o elastano e o poliéster, que garantiam conforto e o caimento perfeito. A partir dos anos 2000, o grande chamariz foi o jeans premium, confeccionado por marcas como 7 For All Mankind, Hudson, Joe’s, entre outras. Com ainda mais detalhes e tratamentos tecnológicos, modelos exclusivos e quantidades limitadas, o jeans ganhou fôlego novo e se tornou, enfim, um artigo de luxo.
Jean Paul Gaulier chamou atenção ao inserir o material na sua coleção Couture em  2002. Quatro anos depois, foi a vez da Chanel colocar a calça jeans lado a lado com seus glamourosos vestidos artesanais na passarela de Alta-Costura. Seguindo a mesma linha, veio a Maison Martin Margiela com seu exército de modelos usando botas, máscaras e jeans na Semana de Alta-Costura de Paris Inverno 2014. Mas, qual é a diferença do jeans Couture para os demais? A regra é mais ou menos a mesma válida para as todas peças que recebem o selo de Alta-Costura: ele é feito a partir de materiais ultraselecionados, possui acabamento artesanal, é produzido em baixa escala, sob medida, e vale uma verdadeira fortuna.

Jeans nas passarelas de Alta-Costura: Verão 2002 de Jean Paul Gaultier, Inverno 2006 da Chanel e Inverno 2014 da Maison Martin Margiela ©Reprodução e ImaxTREE

De lá para cá, pegando carona no movimento de rejuvenescimento das maisons, que busca conquistar uma clientela mais jovem e cosmopolita com uma moda esportiva e mais “usável”, o jeans se tornou figurinha carimbada nas últimas temporadas de moda internacionais. No Verão 2014, por exemplo, nada menos que Balmain, Valentino, Versace e Louis Vuitton, apenas para citar algumas, trouxeram versões do denim pra lá de luxuosas. Um ano depois, na temporada de Verão 2015 masculino, a Prada não deixou por menos e fez quase um tributo ao tecido em quase todos os looks da coleção.
O mais interessante é que a verdadeira majestade do denim não é ter conquistado o reconhecimento do mercado de luxo após mais de um século de vida. O que o torna um item único na história da moda é que ele foi capaz de manter sua aura jovem e rebelde nas ruas, mesmo depois de estampar as vitrines mais desejadas do mundo. Por essas e outras: vida longa ao jeans!
Looks das passarelas de Verão 2014 da Balmain, Valentino, Chanel (Pre-Fall 2014) e Versace ©ImaxTREE

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Como otimizar a taxa de conversão do e-commerce de moda

Transformar o visitante em cliente é um desafio para quem atua na venda on-line de roupas. Trabalhar os detalhes e ter informações claras podem melhorar o resultado.

Um dos maiores desafios para quem trabalha em um e-commerce é promover a retenção do cliente em todas as etapas de compra. Não são raras as vezes em que o consumidor fecha a página repentinamente, desistindo da transação. O menor empecilho ou a falta de alguma informação leva ao abandono do carrinho com as peças antes desejadas. Os empresários que desejam transformar visitantes em compradores não podem abrir mão de trabalho e observação constantes para acompanhar as mudanças ao longo do tempo.
Os esforços são grandes diante da competitividade e do potencial de crescimento desse mercado. Apenas em 2013, o número de pedidos feitos via internet chegou a 88,3 milhões, quantidade 32% maior, se comparado ao ano anterior. De acordo com a pesquisa Webshoppers 2014, a categoria de Moda e Acessórios foi a que mais contribuiu para esse montante, sendo responsável por 19% das encomendas. O setor se mostra muito atrativo, o que o torna também altamente desafiador, com a entrada frequente de novos players. Nesse contexto, um erro pode ser decisivo para o sucesso do negócio.
Antecipar as necessidades do cliente é a premissa para quem atua no on-line. Especificamente no vestuário, outros pontos fundamentais devem ser priorizados. “Diferente da loja física, onde existe a possibilidade de experimentar o produto e de ser auxiliado por um vendedor, no virtual o consumidor está sozinho. Mesmo que exista um chat com um atendente tirando dúvidas, a experiência é diferente. Isso torna necessário o fornecimento de detalhes das peças em zoom, de opções de combinação e de tabela de medidas”, conta Yuri Barreira, Desenvolvedor dos e-commerces da Redley e Cantão.
 
Cuidado nos detalhes

Fornecer a largura e o comprimento das roupas é um diferencial para conquistar o cliente, já que uma das grandes inseguranças dos internautas é a possível necessidade de realizar a troca da peça comprada futuramente. Mesmo quem ainda não disponibiliza essas informações no site sabe da necessidade de incluí-las. “Entendemos que a tabela de medidas ajuda muito, principalmente em um país com diversos padrões. Não temos essa função habilitada, mas queremos melhorar. Nossa meta é também focar na segmentação, passando a oferecer filtros por preço e cor, para que o cliente escolha de acordo com o que quer”, diz Mayara Almeida, responsável pelo Marketing Digital da Mercatto.
Manter o estoque sempre cheio é um atrativo que pode ser determinante no convencimento do internauta em continuar sua visita pelo site. Quando há disponibilidade de modelos em diversos tamanhos ou estampas, o consumidor tem a percepção de que ali terá a oportunidade de encontrar alguma oferta interessante. Quando aparece a palavra esgotado, a empolgação e o interesse tendem a diminuir, principalmente quando a situação se torna recorrente em outros produtos visualizados. Para amenizar essa falha, é recomendado utilizar paliativos, como um botão de “avise-me quando chegar”. Outra saída é retirar temporariamente do site a exibição do produto que não possui nenhum exemplar à venda.
A imagem também é um fator determinante para captar a atenção das pessoas na internet. Quanto mais recursos visuais forem acrescentados, maior é a segurança transmitida aos consumidores. “Criamos vídeos para mostrar o item em uso. Já adotávamos o zoom nos detalhes, como estampas, cortes e solado, além da imagem em 360 graus. As pessoas ainda têm receio de comprar pela web, principalmente na categoria de Moda. Quando elas apresentam um impulso de gastar, nós precisamos estar com todas as portas abertas. Só assim, os consumidores se sentirão satisfeitos”, conta Yasmini Ferrara, Gerente de Marketing da Passarela.

Somente com processos simples, uma marca se torna acessível ao cliente e pronta para recebê-lo. Muitas etapas na navegação e na compra inibem o internauta e o faz enxergar a burocracia de preenchimento de um cadastro, por exemplo, como um empecilho. “Qualquer interrupção que ele sofra pode fazê-lo desistir da compra. Pensando nisso, implantamos o login inteligente, feito por meio do Facebook e que o transfere diretamente para a seção de pagamento. Oferecemos ao consumidor opções variadas para a conclusão da transação, para que ele se sinta confortável em escolher a que confia mais”, conta Yasmini Ferrara.
O momento de efetivar a compra é crucial, uma vez que é quando muitos abandonam os carrinhos. Muitas vezes, a página é fechada por não estarem disponíveis informações sobre o tempo de entrega ou as condições de pagamento. Fornecer antecipadamente esses dados evita a desistência por desconhecimento. “Se o webshopper entrar no site pela página inicial, a home, já deve encontrar ali um banner que avise sobre a possibilidade de pagamento com cartão e de parcelamento, as taxas de frete ou mesmo alguma promoção exclusiva. Nos sites da Cantão e da Redley, oferecemos R$ 25,00 de desconto na primeira compra e colocamos isso em destaque na capa”, conta Yuri Barreira, que palestrou na 13ª edição do Waw, evento realizado no Rio de Janeiro.
A estratégia de mostrar desde o início os pontos de interesse também é utilizada pela Mercatto, que, mesmo na página de visualização de miniaturas das peças, mostra as facilidades de parcelamento. O mesmo é repetido pela Passarela, que inclui ainda no detalhamento do produto, a quantidade de pontos que o comprador receberá no programa de fidelidade.
 
Métricas digitais

A utilização de serviços que mapeiam o site a fim de encontrar potenciais chamarizes para ações é bastante comum entre as companhias. São essas ferramentas que apontam onde há a possibilidade de reter o visitante. Entre os métodos utilizados está o mapeamento de calor da página e a utilização de leitores analíticos, que revelam em qual peça o internauta mais tem interesse ou em que etapa do consumo ele desiste da aquisição. Manter a atenção nesses gráficos é essencial para que os dados sejam casados a outras iniciativas, como e-mail Marketing e redes sociais.
Para atrair o visitante de volta ao site, as empresas utilizam o re-targeting. A técnica permite que anúncios na web sejam segmentados de modo a aparecerem apenas para quem já teve algum contato anterior com a marca, aumentando a conversão. “Trabalhamos com essa ferramenta para conquistar novos clientes, principalmente no Nordeste. Além disso, exploramos aquele que se cadastrou e nunca comprou, enviando mala direta para a caixa de e-mail dele. As redes sociais trazem uma participação bem grande de novos clientes, muitas vezes em links diretos para o produto que reduz os processos dentro do site”, conta a responsável do Marketing Digital da Mercatto.
Os anúncios pela web e páginas de busca são aliados de quem ganha a vida na internet. Os canais off-line, no entanto, também são importantes na conquista de futuros compradores. No caso da Passarela, a loja física conversa a todo instante com a on-line. “Caso falte algum produto no ponto de venda, mas tenha na web, o vendedor cadastra a cliente e enviamos o produto direto para a casa dela. Damos um prazo de entrega bem rápido. Para algumas regiões de São Paulo, o produto chega em até 12 horas. Não perdemos esse comprador por nada”, conta a Gerente de Marketing da Passarela.
 
Pós-venda

Medir a taxa de conversão é fundamental, uma vez que mostra os resultados das estratégias de Marketing Digital, mas é a capacidade de análise para encontrar oportunidades e estimular as vendas que importa na boa gestão de um e-commerce. Ter um bom relacionamento com o consumidor, planos de fidelidade que o bonifiquem e boa reputação nas entregas valoriza o endereço online.
Aproximar-se cada vez mais do consumidor é o principal foco da Passarela, que vem trabalhando num novo projeto, previsto para entrar no ar até o fim do ano. “Quando o cliente chegar à loja virtual, encontrará uma vitrine inteiramente moldada para ele, com base em seu histórico de navegação. Se ele viu algo sobre esportes, teremos opções de tênis e camisetas na capa. Focamos no atendimento e temos cinco diamantes em excelência pelo E-Bit, o que é, por si só, um fator de convencimento, quando o cliente titubeia sair de nosso site”, conta Yasmini Ferrara, da Passarela.
Independentemente do tamanho do e-commerce, as empresas passam pela tensão da conversão em algum momento. Ouvir o SAC e entender os porquês das trocas dos produtos são algumas formas de reduzir os impactos no pós-venda. A atenção após a conquista do cliente deve continuar a ser prioridade, uma vez que a experiência que ele vivenciará a partir daquele momento poderá ou não trazer outros clientes para a marca. “Um consumidor satisfeito levará sua marca para outros e te recomendará também nos locais virtuais próprios para avaliações. Tão bom quanto reter um visitante, é fidelizá-lo”, conta Yuri Barreras.
 
Fonte: http://www.mundodomarketing.com.br/

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Sem barreiras de classe nem idade: jeanswear gera R$ 7 bilhões e 320 mil empregos

Para se ter uma ideia do tamanho do negócio de jeanswear no Brasil, basta ir para uma rua movimentada em qualquer capital do país. Se você fosse fazer esse teste no centro da sua cidade, certamente veria que a maioria das pessoas veste pelo menos uma peça de jeans. Pois isso dá um pouco a dimensão desse mercado. Isso porque o jeans não tem barreiras de classe econômica e social, tampouco de faixa etária. “A geração Coca-Cola, que tinha o jeans como marca, hoje tem 70 anos”, comentou Marcelo Prado, diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi), especializado em pesquisas e análises do setor têxtil e de vestuário.
O jeanswear (tudo o que é produzido a partir do jeans, incluindo-se, claro, calças, mas também biquínis, bolsas e bonés, por exemplo) emprega de forma direta 320 mil pessoas no Brasil, segundo dados do “Estudo do Mercado Potencial de Jeanswear no Brasil”, feito pelo Iemi. Isso significa que o setor gera tantos empregos quanto todo o sistema cooperativista no Brasil — pense em todas as cooperativas de crédito e agropecuárias, e elas ainda são apenas uma parte disso. O valor da produção (a soma do valor de tudo o que é produzido por todos os elos da cadeia, mesmo o que fica estocado) do setor de jeanswear foi de R$ 7 bilhões em 2013, conforme o Iemi. Mas é difícil saber se isso é muito ou pouco. Então, para fins de comparação, vamos pegar um dos símbolos nacionais: a banana. Pois o valor bruto da produção de banana foi de R$ 8,6 bilhões no mesmo ano, segundo dados do Ministério da Agricultura. E agora pense que o jeanswear não é uma indústria inteira, mas apenas um segmento dentro da indústria do vestuário.
O jeanswear é o segmento que mais cresceu entre todos os artigos de vestuário (roupas em geral, meias e acessórios têxteis como bonés, luvas, lenços e echarpes) produzidos no país nos últimos anos, tanto no valor gerado como no número de peças. O segmento representou 8,1% do valor da produção da indústria de vestuário em 2013, índice que era de 6,2% em 2009. Enquanto o valor da produção do jeanswear teve uma evolução de 74,7% entre 2009 e 2013, o setor do vestuário como um todo aumentou 31,9%. No número de peças, o ritmo foi superior a 6% ao ano no período, o que gerou expansão acumulada de 29% entre 2009 e 2013. “Esse crescimento superou a expansão da produção de vestuário em geral no país, que registrou expansão acumulada de 3,9% em peças, ou 1% ao ano”, comentou Prado.
Mas essa evolução na produção é reflexo direto do comportamento do mercado interno. O consumo aparente (a produção mais importações menos as exportações, ou seja, tudo o que é ofertado internamente) aumentou 34,7% no número de peças comercializadas, que passou de 292,7 milhões para 394,2 milhões entre 2009 e 2013. Enquanto isso, o valor gerado por esse consumo aumentou 79,7%, chegando a R$ 8,1 bilhões. Esse aumento muito maior no valor do que no número de peças indica que houve um aumento no preço médio das peças. “O mercado brasileiro é um dos três maiores do mundo”, comentou o diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel.
O Brasil, segundo Pimentel, estaria em uma situação privilegiada. Ele destacou que o país reúne todos os segmentos necessários à produção de jeanswear, como a indústria de acabamentos, de produtos químicos e de lavagens, além de ter empresas com tecnologia reconhecida no mundo todo e algodão de boa qualidade (o segmento consome cerca de 40% do algodão produzido no Brasil). “O Brasil tem tudo isso, é muito competitivo e tem um grande mercado consumidor.” Prado destacou que a produção de jeanswear é muito mais complexa do que o vestuário convencional, justamente por exigir mais etapas, como inserção de acabamentos e lavagens.
Mesmo assim, nos últimos cinco anos, a indústria nacional de jeanswear conseguiu aumentar em 29,9% o valor das exportações. Só que as importações cresceram 261,5% no mesmo intervalo. Além disso, em valores absolutos, não há nem comparação: enquanto as exportações chegaram a US$ 11 milhões em 2013, as importações foram de US$ 184 milhões, favorecidas pela forte valorização do real diante do dólar americano. “Isso afetou a competitividade dos produtos industrializados no país frente aos importados”, disse Prado. Pimentel adiciona outro fator: “A crise de 2008 ainda gera excedentes produtivos, e o mundo todo ainda está sofrendo com isso.” Apesar deste forte crescimento, a participação do importado não deve alcançar mais de 8% do volume total consumido de jeanswear no país.
A médio prazo, com o retorno da taxa de câmbio a uma posição de equilíbrio, a expectativa de Prado é que o Brasil recupere a capacidade de exportar parte de sua produção, desde que se baseie em conceitos consistentes de marca, inovação e brasilidade. “O Brasil ainda é muito competitivo na produção de produtos originais e diferenciados de médio e alto valor agregado, mas não tem como competir lá fora oferecendo cópias de produtos europeus e americanos a preços baixos. Esta estratégia hoje é privilégio dos asiáticos”, afirmou.
Para 2014, as estimativas para a produção de jeanswear são de crescimento de 3,7%, enquanto que para o vestuário em geral são de alta de 2,1%. Com isso, a participação desse produto no mix geral do segmento de vestuário deve passar de 4,8% das peças confeccionadas para 5,9%.
http://ffw.com.br/noticias/

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Dicas para renovar o guarda-roupa na troca de estação

Stylist das atrizes de Hollywood entrega segredos para renovar o guarda-roupa na troca de estação
Erin Walsh, que cuida dos estilos de Sarah Jessica Parker, Maggie Gyllenhaal e Kerry Washington, revela todos os truques para consumir com sabedoria e ainda seguir as tendências da vez, assim que as novas coleções chegarem às lojas

Em entrevista à Marie Claire americana, a expert que é responsável pelo estilo de Sarah Jessica Parker, Maggie Gyllenhaal e Kerry Washington, entregou suas melhores dicas para consumir com consciência e ainda assim aderir às tendências da nova temporada.

1. Identifique quais são os seus maiores atributos e como valorizá-los!
Portanto, independente do que estiver na moda, opte somente pelas peças e acessórios que são capazes de dar um “up” nessas qualidades. Se você gosta do seu colo, por exemplo, direcione a sua compra para blusas e colares que o deixe destacado.
 
2. É importante conhecer o seu corpo e as modelagens que melhor se adaptam a você.
É tudo uma questão de proporção. Na dúvida, aposte em vestidos com modelo trapézio (em “A”), que combina com a maioria dos formatos de corpo e equilibra as proporções. Além disso, fique atenta ao comprimento das saias e das calças. Um centímetro a mais ou a menos faz uma enorme diferença, quando se quer alongar ou achatar a silhueta.
 
3. Encontre uma costureira boa e rápida.
Essa é a melhor maneira de fazer peças baratas parecerem que foram feitas para você ou ainda de atualizar uma saia ou blusa mais antiga. Aquela camiseta que você já não usa mais pode virar um lindo top cropped.
 
4. Dê mais valor à roupa íntima nas hora das compras.
Elas podem deixar o formato do seu corpo mais lisonjeiro em instantes. Muitas mulheres desconhecem toda a gama de modelagens disponível. Com tantas silhuetas distintas, é importante encontrar a lingerie que modele e não marque.
 
5. A maneira mais fácil de fazer a transição das peças na mudança da estação é brincar com camadas e texturas.
Aquela bota mais pesada que você usava com casacões e calça vai ficar ótima com um vestido-camiseta mais levinho. A saia de couro que era usada com um tricô pode ser combinada agora com uma regatinha fresquinha.

6. Não basta ter um guarda-roupa cheio, ele também precisa ser funcional.
Tenha sempre algumas peças versáteis. Comece por aqueles itens que você possa combinar com a maioria das outras roupas. Invista em um blazer, em uma jaqueta cropped, que arremata calças e vestidos. Além disso, encontre o modelo de jeans que cai melhor em você e compre das mais variadas cores. Outro “must-have” é uma camisa masculina – ela é ótima para ser usada aberta sob um top ou fechada com um jeans.
 
7. Não economize em blazers e jaquetas de alta qualidade.
Elas são itens que você terá por anos e, por isso, vale o investimento.
 
8. Dê uma geral no guarda-roupa.
Questione a si mesma se você usou cada uma das peças no último ano. Se a resposta for negativa, livre-se dela (a menos que seja uma herança de família) para abrir espaço para as novas!
 
9. Não pense nas peças individualmente, mas em como elas podem ser usadas com os outros itens.
Se for inviável e elas não te fizerem se sentir confiável na hora em que estiver vestindo, doe!
 
10. Tenha muita certeza de qual é o seu estilo pessoal.
Pergunte-se que tipo de imagem você quer passar e qual te deixa mais confiante. Está aí o segredo.
 
11. Procure sempre por referências icônicas do cinema e da cultura pop para se inspirar.
Eu gosto das clássicas, como Lauren Hutton, Ines de la Fressange, Carlyne Cerf, Talitha Getty, Patti Smith e Diane Keaton.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Alerta: 3 tendências para o próximo verão

Já estamos entrando na primavera e por isso, já está mais do que na hora de preparar o armário  para as estações mais quentes do ano. É também o momento ideal para abusar das cores, estampas e texturas diferentes. Se você perdeu o que rolou nos principais eventos de moda do mundo, confira a seguir três tendências que prometem aparecer bastante nas próximas estações.
 
Color Block
 
As famosas "cores blocadas", que estiveram em alta no verão 2014, seguem aparecendo nas passarelas e são tendência para o próximo ano. Desta vez, aposte no laranja, amarelo, azul celeste e suas variações. Sinta-se à vontade de misturar essas cores com outras peças estampadas, sempre dando destaque aos tons blocados.
 
Saias e vestidos midi
Depois das saias de cintura alta e as mullets – peças mais longas na parte de trás –, o que vêm chamando atenção para as próximas estações são as saias com comprimento midi – um pouco abaixo do joelho. Além de ficar com um ar retrô, o look é perfeito para climas quentes sem perder a elegância.
 
Estampas da natureza
Além dos florais, que estiveram sempre presentes nas passarelas mundo afora, a primavera/verão 2015 também ressaltará o clima da natureza nas peças, com estampas aquáticas e tropicais. Diferentemente das últimas estações, os desenhos agora virão em outros tamanhos, principalmente nos médios e grandes.
 
(Fonte: Hagah)

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Do 44 ao 62: confira padrões de uma plus size no Brasil

Padrões de plus size dividem opiniões, porém, ter medidas equilibradas é uma exigência unânime
No último mês de julho, a australiana Robyn Lawley gerou polêmica ao postar uma foto sem retoques no Instagram. Os internautas questionavam as medidas da modelo, que nem de longe parecia se enquadrar na categoria plus size – pela qual ficou conhecida.
No Brasil, os padrões que permeiam este nicho do mercado da moda, por vezes, também são questionáveis. Afinal, que medidas definem uma modelo plus size?
Algumas agências ouvidas pelo Terra costumam trabalhar com manequim a partir de 44, como é o caso da Casting Model, de São Paulo. De acordo com a booker Luciane Barão, na agência eles trabalham com numeração até 54. “Na verdade o que verificamos é beleza”, afirma. 
Na agência São Paulo Plus Size, os números vão além. O proprietário, Paulo Gibo, conta que o seu casting aceita mulheres que vestem até 62. “Não temos um padrão, mas o corpo tem que ser proporcional, tronco grande com pernas grossas”, afirma.
Já para Adilton Amaral, da empresa Haz Editora, que faz eventos nesta área, a maioria das grifes prefere a modelo de manequim 48. “Ou seja, o meio termo não é a 'falsa magra', mas também não se trata de uma gordinha muito grande, que suscite a apologia à obesidade. As medidas mais solicitadas seriam entre 110 e 116 de busto, entre 90 e 95 de cintura, entre 115 e 121 de quadril.”
Ele explica que o essencial é que a modelo tenha um corpo proporcional. “No caso de editoriais e catálogos, a altura não é um fator relevante. Modelos abaixo de 1,70m de altura são selecionadas sem problema. Já para desfiles e outros eventos de exposição ao público, as grifes preferem modelos mais altas”.
No entanto na Ford Models, que tem apenas cinco modelos no seu casting de plus size, as exigências são um pouco maiores. Patricia Gabriel, booker do departamento comercial da agência, conta que o padrão da casa vai do 44 ao 46.  “Não é qualquer mulher que está acima do peso que pode ser considerada plus size, assim como não é qualquer pessoa magra que pode ser modelo”, ressalta.
Ela afirma que enquanto a média das tops regulares é de 90 cm de quadril, manequim 38, 60 de cintura e 88 de busto, as plus size geralmente têm cerca de 110 de quadril, manequim 44, 72 de cintura e 95 de busto. “A plus size é harmônica, é grande inteira. É apenas fora dos padrões, mas também não tem celulite aparente, tem a pele bem cuidada”.    
       
Mercado em ascensão

Fora do País, o mercado mais forte dentro deste segmento ainda são os Estados Unidos, observa a Patrícia. Ela acredita que segmento tem força por conta da cultura alimentar e também por ter pessoas mais consumistas, que acabam impulsionando o surgimento de novos nichos.
Patricia firma que o padrão por lá é um pouco maior, girando em torno do manequim 48. Por esse motivo, ela observa que o caso de Robyn pode ser interpretado justamente pelas variações nas exigências de cada região e mercado. “Às vezes, só pelo fato de uma modelo ter uma das medidas maiores do que o padrão, como o busto, por exemplo, já pode ser considerada plus size”, analisa.
Adilton reforça. “Toda modelo que, visualmente, não é magra, pode ser considerada plus size, já que ela não seria escalada para participar de um desfile convencional. Atualmente as pessoas têm se assustado ao ver mulheres apenas com alguns quilos a mais, as tais 'falsas magras', sendo consideradas plus size. E isso choca, pois a ideia preconcebida é de que a plus size precisa ser uma gordinha com muito volume corporal”, pontua.
Ele afirma que isso acontece porque, diferente das modelos magras, que giram em torno de medidas bem restritas, as modelos plus size não têm um biótipo único. “Essa é a grande dificuldade da indústria da moda, atender a muitos perfis diferentes de mulheres que usam a partir do tamanho G. Há quem tenha mais busto, mais ombros, mais culote. Cada plus size tem suas próprias características”, reforça.
Para além das medidas, conhecer os próprios atributos também é fundamental para atuar na área. “Parece óbvio, mas é comum que a modelo plus size não saiba o que precisa valorizar na sua silhueta, e aquilo que precisa disfarçar. Quando a modelo passa a ter domínio do seu biotipo, ela se apresenta com mais segurança e atitude”, diz Adilton.
 
Corpo em dia

A modelo Bruna Gonçales, 26, é agenciada pela Ford e trabalha no segmento há cerca de 5 anos. Ela cita Robyn como uma de suas referências. “A Robyn sempre orgulhou o segmento, ela me encanta. Sempre a vi respeitando seu corpo e seus limites. Ela de fato não é gorda, mas é uma mulher grande. Se a moda é segmentada e a ela está nas medidas de uma manequim plus, ela é plus size e ponto”, afirma.
Tara Lynn, americana que faz parte da mesma agência, é outra fonte de inspiração. “Quando conheci o trabalho da Tara e percebi que ela, assim como eu, era curvilínea e vestia manequim 46, eu entendi que não importa muito o número na etiqueta da sua calça”, diz.
No entanto, os cuidados com o corpo seguem a rigidez de uma modelo padrão. Bruna se pesa duas vezes por semana mas, segundo ela, “mais para me observar do que para me arbitrar”. “Não basta só vestir acima do tamanho 44, assim como não basta para ser modelo convencional ser alta e magra”, reforça.
Bruna corre quatro vezes por semana e também pratica pilates. Apesar de gostar de cozinhar e de comer, segue uma dieta. “Mensuro quantidades e observo o que estou comendo. Tento não entrar no automático e comer simplesmente por comer.”
Ela conta ainda que é casada com um atleta medalhista olímpico e, com isso, a atenção com a alimentação é redobrada. Ela acrescenta na dieta frutas e legumes orgânicos, grãos integrais e carnes magras.
A modelo vê o mercado com esperança. “Vejo a consumidora encontrar um produto que ela se identifica e não comprando simplesmente porque ‘tem do seu tamanho’. É um movimento novo, mas com consumidores exigentes, opiniões formadas e vontade de encontrar o produto exatamente como o desejam. Isso é positivo!”, vibra.
Para quem pretende buscar um espaço na área, ela recomenda dedicação, estudo e atitude. “Uma coisa importante é não se colocar como desfavorecido. Representamos sim uma fatia forte do mercado e merecemos nos valorizar”, conclui.
 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Com nova atualização, app Moda Livre monitora 45 marcas e varejistas de roupa

Nesta nova atualização, a base de empresas avaliada pelo Moda Livre foi ampliada para incluir mais nomes consagrados no mercado nacional da moda.
 
A partir de 18 agosto, estará no ar a mais recente atualização do aplicativo Moda Livre. Disponível gratuitamente para Android e iPhone, ele apresenta de forma ágil e acessível as medidas que as principais marcas e varejistas de roupa do país vêm tomando para evitar que as peças vendidas a seus clientes sejam produzidas por trabalho escravo. Lançado em dezembro de 2013, o aplicativo foi desenvolvido pela ONG Repórter Brasil, referência nacional na defesa dos direitos humanos.
Nesta nova atualização, a base de empresas avaliada pelo Moda Livre foi ampliada para incluir mais nomes consagrados no mercado nacional da moda. É o caso das holdings Inbrands – que controla grifes refinadas como Ellus, Richards, Mandi e Bobstore – e do grupo AMC Têxtil, responsável por marcas conhecidas do público brasileiro, como Forum, Colcci e Triton.
Outra companhia detentora de marcas valiosas (como Siberian, Crawford e Memove), a Valdac Global Brands também integra o hall de companhias analisadas pela equipe da Repórter Brasil. Há também varejistas presentes de norte a sul do Brasil, como as Lojas Americanas, e fabricantes de roupas bastante tradicionais no mercado nacional – como Malwee e Marisol.
O Moda Livre avalia os principais grupos varejistas de moda em atividade no país, além das empresas em que a produção de roupa foi marcada por casos de trabalho escravo flagrados por fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
 
A Repórter Brasil convidou todas as companhias a responder a um questionário-padrão que avalia basicamente quatro indicadores:
1. Políticas: compromissos assumidos pelas empresas para combater o trabalho escravo em sua cadeia de fornecimento.
2. Monitoramento: medidas adotadas pelas empresas para fiscalizar seus fornecedores de roupa.
3. Transparência: ações tomadas pelas empresas para comunicar a seus clientes o que vêm fazendo para monitorar fornecedores e combater o trabalho escravo.
4. Histórico: resumo do envolvimento das empresas em casos de trabalho escravo, segundo o governo.
As respostas geram uma pontuação e, com base nela, as empresas são classificadas em três categorias de cores: verde, amarelo e vermelho. Aquelas que não responderam ao questionário, apesar dos insistentes convites, foram automaticamente incluídas na categoria vermelha.
O aplicativo não recomenda que o consumidor compre ou deixe de comprar roupas de determinada marca. Apenas fornece informações para que faça a escolha de forma consciente.
 
Fonte: http://www.administradores.com.br/noticias/negocios/com-nova-atualizacao-app-moda-livre-monitora-45-marcas-e-varejistas-de-roupa/91410/

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Setor têxtil e de confecção no Brasil busca competitividade internacional

Com uma agenda bem ampla a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e conjunto com a Tex Brasil, Apex Brasil e demais entidades envolvidas com o segmento da moda brasileira busca apoio de governo e da sociedade através de debates, para que o Brasil que mantém esta atividade têxtil e de confecção cerca de 200 anos, e que impulsionou muitas outras indústrias, sendo o grande motor da revolução industrial no Brasil. Hoje este setor emprega 1,7 milhão de pessoal de forma direta, das quais 75% são mulheres. A indústria da moda é o segundo maior empregador na indústria de transformação e também segundo maior gerador de primeiro emprego. Eis a gigantesca importância econômica e social deste bicentenário setor com capilaridade em todo território nacional.
A indústria da moda reúne diferentes características, dificilmente encontradas em outros setores. Fala de arte, negócios, artesanato e alta tecnologia. Mistura química, física, sociologia e história. No Brasil, possui mais de 100 escolas de cursos livres, técnicos, graduação e pós-graduação. Gera um faturamento em torno de R$ 100 bilhões/ano através de mais de 30 empresas. Paga R$ 14 bilhões/ano em salários, e tem investido a média de R$ 5 bilhões a cada ano (somando desembolsos do BNDES e aquisição de máquinas e equipamentos), e recolheu R$ 7 bilhões em contribuições federais e impostos em 2013. “É a maior cadeia integrada do setor no ocidente”, afirma a Abit.
Mas, o país vem perdendo terreno para os importados que abastecem cada vez o mercado nacional: dados da Abit mostra que na última década a importação de vestuário aumentou 24 vezes, saltando para US$148 milhões para US$ 3,5 bilhões. Cerca de 15% do mercado total de vestuário é abastecido por marcas importadas.

Para enfrentar os gargalos do setor a Abit e os demais parceiros estão indo a campo, e buscam vencer a “Agenda de Prioridades 2015 a 2018”, como Relações de Trabalho; Macroeconômica; Tributação e Gasto Púbico; Educação; Inovação; Comércio Exterior; Meio Ambiente; Gestão e Burocracia e Micro e Pequena Empresa; por exemplo, aprovar o RTCC [Regine Tributário Competitivo para a Confecção], cujo objetivo é viabilizar o retorno de grandes unidades de produção de confecções no Brasil com escala, gestão e competitividade suficientes para enfrentar a concorrência externa e ser o principal fornecedor das empresas varejistas nacionais além de aumentar sua capacidade de exportação, beneficiando assim todos os elos da cadeia produtiva.
Dentre a lista, destaque para Tributação e Gasto Púbico .Eliminar a tributação sobre o investimento, permitindo a apropriação imediata do crédito de ICMS na aquisição de bens de capital ou outros bens diretamente utilizados na instalação ou modernização das plantas.
. Acabar com os impostos cumulativos;
. Fazer avançar a Reforma Tributária, que está no Congresso Nacional, de forma a caminhar na unificação das alíquotas, mitigar os efeitos da Guerra Fiscal e trazer mais segurança jurídica.
. Criar um imposto único sobre consumo (IVA) partilhado pelos Estados, União e Municípios, consolidando todos os impostos diretos incidentes sobre a venda.
Para Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit, que participou da palestra do Circuito TexBrasil “Competitividade e Internacionalização”, no dia 08 de agosto (sexta-feira),no Senai Moda e Federação das Indústrias do Rio de Janeiro(Firjan) “temos design, muita criatividade, e estamos prontos para uma grande inovação”, frisa o executivo. “Um país competitivo mundialmente agrega valores tecnológicos, gera empregos e riquezas”, completou.

Fonte: Portal Fator Brasil.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Uso dos Princípios do Design em Projetos de Moda

Nós, criadores, devemos estar sempre nos reinventando. Devemos sempre nos cercar de recursos que possam nos auxiliar na construção de produtos diferenciados. A utilização dos princípios do design pode nos auxiliar neste processo, possibilitando ter ideias diferentes e pensar que efeitos queremos nas nossas peças e como queremos que o consumidor enxergue as mesmas.
O design possui alguns princípios utilizados para comunicar uma mensagem. A maneira como usamos estes princípios define a estrutura do nosso trabalho e direciona o olhar do consumidor, além de ajudar a transmitir a mensagem que estamos tentando comunicar. Todos os princípios do design podem ser aplicados a qualquer projeto, inclusive em projetos de moda, para criação de roupas, bolsas e acessórios. Não existe uma maneira correta de aplicar cada princípio, devemos explorá-los ao máximo. Abaixo vou explicar o que são esses princípios e mostrar alguns exemplos de utilização deles no vestuário.
 
1. Repetição: A repetição pode ser regular ou irregular, pode estar presente no look em detalhes, nas estampas, aviamentos, nos elementos de estilo. Nas imagens A e B percebemos na gola o detalhe de repetição regular, na imagem C a repetição é irregular. Nos exemplos D e F os babados aumentam de maneira regular, assim como as flores aplicadas no vestido na imagem E.
 

2. Ritmo: A repetição em padrão elaborado, deve ser regular, na estrutura do look ou na estampa. Na figura A o padrão de repetição são listras de diferentes formas, na B a textura que são favos repetidos uniformemente. A imagem C nos mostra a repetição na estampa, na D os botões fazem a repetição uniforme.
 
 
3. Gradação: Um padrão que aumenta ou diminui em relação ao anterior sequencialmente. Pode ser visto em detalhes, aviamentos, estampas e bordados. Na imagem A e B os detalhes (padrão) são dispostos do maior para o menor e a imagem C as pétalas da flor também aumentam de tamanho. As saias do exemplo D apresentam babados que vão do menor para o maior, assim como o detalhe da manga da imagem E.
 
 
4. Radiação: Uso de linhas que saem de um eixo ou ponto central para direções diferentes. Nos modelos abaixo notamos diferentes tipos de drapeados e franzidos que são exemplos de radiação.
 
 
5. Contraste: Um dos mais úteis princípios de criação. Faz com que o olhar humano reavalie a importância de uma área focal em relação a outra. Pode ser extremo ou sútil, em tecido (textura, opacidade) ou cores. No exemplo conseguimos perceber o contraste de cores e materiais. Na imagens A e B temos contraste de texturas e matérias primas, assim como o contrate de cores.
 
 
6. Harmonia: Diz respeito à disposição formal bem harmoniosa no todo ou entre partes de um todo. Pela similaridade ou semelhança. Todo conjunto deve ter formas, cores e texturas que se relacionam e se interagem como justaposição, ton-sur-ton, texturas parecidas. Na imagem A percebe-se a harmonia nas formas e cores das peças. Na B ton-sur-ton de diferentes tipos.
 
 
7. Equilíbrio: É a distribuição do peso e importância visual dos elementos do design, resultando em equilíbrio visual, simetria, espelhamento. Equilíbrio é um sentido de igualdade visual numa forma, figura, valor, cor, etc. O equilíbrio pode ser simétrico ou uniformemente equilibrado ou assimétrico ou não uniformemente equilibrado. Objetos, valores, cores, texturas, formas, figuras, etc., podem ser usados para criar um equilíbrio numa composição. No exemplo A percebe-se a igualdade das formas usando a simetria e no B a assimetria, o desequilíbrio do uso de diferentes materiais.
 
 
8. Proporção: Diz respeito a maneira como comparamos cada uma das partes em relação ao todo no design de uma peça. Ex.: os aviamentos em relação ao look. A proporção descreve o tamanho, posição ou quantidade de uma coisa comparada a outra. Na imagem A conseguimos perceber o uso de tamanhos exagerados, ou seja, a desproporção nas peças, já na B as pecas são proporcionais.
 
 
9. Sensação corporal: A roupa não é uma experiência apenas visual, mas também tátil, sensorial. No exemplo A termos diferentes texturas, com fios e tramas e no B os tecidos são trabalhos formando texturas.
 
 
Por Julia Picoli
Docente no curso de Moda da Feevale e consultora de produto de Moda - http://textileindustry.ning.com

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Tendência: O retorno triunfal do Peplum para o Verão 2015

Na estação mais quente do ano, o Peplum se fará presente em modelos que variam entre classicos, exuberantes, fresh e coloridos, portanto, apostem sem medo.
  
Derek Lam Resort 2015
A temporada de Verão 2015 no Fashion World apresenta muitos contrastes: se de um lado, existem contorno amplos, andróginos e esportivos, do outro observamos um perfil ultra feminino que evoca o retrô e uma trend ladylike moderna, invadindo as coleções dos grandes nomes da moda.

Dentre elas, um elemento conhecido de outras temporadas se destaca: o peplum, tecido em forma de babados sobressalentes, ora em blusas, ora em vestidos e saias. Ele foi eternizado na década de 40 e anos depois se adéqua a estética atual da época inserindo elegância e feminilidade às produções urbanas
 
Ellie Saab Resort 2015

Ellery Resort 2015
Na teoria fashion das passarelas ele já não se abrevia apenas às modelagens ajustadas e acinturadas, ganhando agora volume e se estendendo a acessórios como os cintos em uma ideia tão singular quanto às novas modelagens apresentadas nas coleções resort, onde repaginado, ele surge em formas oversized e volumosas.

Porem, na prática, o Peplum é um elemento contraditório que pode tanto aumenta a região dos quadris como disfarçar uma barriguinha saliente. Portanto a primeira regra para usa-lo é ter em mente seu biótipo para deixar assim o look harmonioso, mas ressalto que mulheres com quadris largos devem evita-lo já que o detalhe evidencia a região.
 
Andrew GN Resort 2015
 • Se você esta acima do peso, invista em combinações de cores sóbrias com o preto ou marinho, sempre básicas e atuais.
• Quem possui pouco quadril deve investir na trend, uma vez que ela afina a cintura e ainda aumenta visualmente os quadris, causando a ilusão de corpo violão.
• Ao escolher o detalhe em blusas, combine-as com calças de modelagem mais seca. A saia lápis também é uma ótima opção já que se ajusta ao corpo.
• Ao optar pelo detalhe em saias, invista nas de cintura alta que além de serem forte tendência, ajudam a alongar as pernas e afinar a região da cintura. Combine-as com blusas e tops mais secos.
• Ao escolher acessórios na hora de compor o look, você pode investir em um maxicolar ou maxibrinco que trarão um ar mais jovial e contemporâneo. Mas nada impede que sua escolha recaia sobre peças mais clássicas se a ocasião assim determinar. O importante é usar o bom senso na hora de escolher as peças, pois como o Peplum é o ponto focal do look, o ideal é deixar a atenção concentrada somente nele.
• Ao optar por peças mais ajustadas, evite usar fendas ou croppeds, pois o Peplum já emite a sensualidade necessária que você precisa, já que evidência as curvas do corpo. Para não errar, invista no estilo minimalista, assim, com toda certeza você ficará elegante na medida.
 

Política econômica brasileira: como ela está influenciando o setor confeccionista

A impressão que temos hoje é de que o empresariado brasileiro tem de andar sobre um campo minado e com uma venda nos olhos, não sabendo ao certo que passo dar e em que direção, e ainda correr o risco de encontrar uma surpresa desagradável. Isso faz com que ele fique estagnado ou, então, dê pequeníssimos passos para sair do lugar e atravessar esse campo, sem saber se pisará numa bomba escondida, que pode acabar com todos os seus planos.
Muito alarmista? Pode ser, mas é essa a sensação que o cenário econômico nacional passa ao deixar de lado um planejamento estratégico a médio e longo prazo, com uma política definida, no qual as empresas podem programar seus investimentos e, consequentemente, seu desenvolvimento. Não há uma base segura sobre medidas anunciadas que, num piscar de olhos, passam a não valer mais... Que credibilidade temos para fazer negócios dessa forma, dentro e fora do país? Só temos medidas imediatistas, para “apagar incêndios”, como bem disse em entrevista à Costura Perfeita Ricardo Martins, diretor titular do Centro de Indústrias do Estado de São Paulo – Distrital Leste (Ciesp Leste). “A política econômica atual do governo brasileiro pode ser caracterizada por um total esquecimento dos principais fundamentos da economia, que vem nos orientando no período pós-Plano Real. Na verdade, os agentes governamentais procuram atuar para apagar incêndios, o que não permite projetar um cenário favorável em curto prazo, justificando uma das maiores crises de confiança enfrentadas pelo país nos últimos anos.”

Ainda de acordo com Martins, nesse panorama não existem condições favoráveis aos empresários brasileiros, principalmente àqueles do segmento industrial, hoje nitidamente os mais afetados pela falta de uma política econômica com bases sólidas. “Com um cenário de descontrole da inflação, a primeira atitude do governo é sempre aumentar, encarecendo ainda mais os custos de produção e atraindo dólares estrangeiros que vêm aproveitar as maiores taxas de juros do planeta, diminuindo a cotação do dólar em relação ao real. Dessa forma, os industriais veem ainda mais agravada sua capacidade de competir com produtos importados, que entram mais baratos e tomam o lugar dos produtos nacionais nas prateleiras. Associada a isso, ainda existe uma crônica falta de competitividade devido ao famigerado “custo Brasil”. Recente estudo da Ciesp/Fiesp indica que os bens produzidos pela indústria de transformação brasileira estiveram 34% mais caros que os produtos importados dos principais parceiros comerciais. Por trás desses preços mais caros, estão alta tributação, burocracia, juros elevados, energia e matéria-prima mais caras que a de seus concorrentes internacionais”, analisa.
Outro ponto importantíssimo que ele destaca é o controle da inflação, que afeta o poder de compra da população e dificulta o planejamento das empresas. “O governo brasileiro tem lançado mão do controle de preços de alguns produtos e serviços que estão sob sua influência, caso dos transportes públicos, combustíveis e energia elétrica, entre outros, causando grande expectativa de aceleração da inflação quando os reajustes desses preços forem autorizados. Logicamente, isso só deverá acontecer após as eleições, deixando para o próximo ano as surpresas desagradáveis.”
A essa elevação de custos, somam-se ainda uma alta e complexa carga tributária, câmbio volátil, elevado custo de capital e financiamentos, baixo investimento, infraestrutura insuficiente e pequena flexibilidade nas leis trabalhistas, de acordo com Thiago Biscuola, economista da RC Consultores. “Claramente, temos um problema, e que é grave porque é estrutural. O país tem mantido um padrão de crescimento muito aquém do que poderia sugerir o nível atual de sua renda per capita. O desempenho da economia entre 2011 e 2014, que deverá encerrar com crescimento inferior a 2% ao ano, denota o esgotamento desse modelo. Independentemente de quem assumir a presidência em 2015, um ajuste estrutural e uma sequência de reformas serão necessários para elevar o país a um novo patamar de crescimento”, observa o economista.

E para que esse crescimento gere algum resultado deve, ao menos, ficar acima do índice inflacionário. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) até junho deste ano, no acumulado de 12 meses, era de 6,52%, ou seja, acima da meta estipulada pelo Banco Central, de 6,5%. Como lidar com isso, se nem quem deveria manter o controle consegue fazê-lo?
Para Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o Brasil, para deixar de um país de renda per capita média (US$ 11 mil) e se tornar um país de renda elevada (US$ 22 mil), como é Portugal hoje, precisa crescer, no mínimo, 5% ao ano durante 15 anos consecutivos.
“O Brasil não pode se contentar em crescer 1% a 2% ao ano. Nossa meta é crescer de 4% a 5%, e há espaço para isso. A questão é que a infraestrutura não sai num estalar de dedos, temos de começar cedo. Muito menos a capacitação, que leva gerações. Temos de pensar grande, mas não de uma forma sem conteúdo, pois temos condições de voltar a crescer de 4% a 5% ao ano e traduzir isso numa grande evolução da sociedade brasileira para reduzir a desigualdade social, melhorando nossa infraestrutura, nossas escolas, e caminhar para uma sociedade do conhecimento. Não podemos ficar perdendo para nós mesmos e ficar comendo aquilo que foi construído, pois não há sustentabilidade nesses programas sociais e tudo o mais que temos de fazer para construir uma nação melhor crescendo só 1% ao ano. Não há. Para crescer, tem de haver um bom ambiente de negócios, com regras mais previsíveis, uma visão de futuro bem delineada e ajustes normais ao longo do período”, diz Pimentel.

DESONERAÇÃO PERMANENTE


Desde 2011, 56 setores da indústria brasileira, entre eles o têxtil e de confecção, tiveram uma desoneração na folha de pagamento a fim de dar um fôlego nas contas para que pudessem crescer. A medida, que tinha o dia 31/12/2014 como prazo de validade, teve seu status transmutado para “permanente” no dia 27 de maio deste ano, conforme anunciado pela presidenta Dilma Rousseff. Ela passa a valer a partir do dia 1º de janeiro de 2015, porém, até o momento, não foi formalizada nem enviada ao Congresso uma medida provisória ou emenda à lei que já vigora para que haja alguma garantia de seu cumprimento.
Fernando Pimentel disse que a Abit foi a pioneira em conversar com o Ministério da Fazenda na época do lançamento do Plano Brasil Maior, em 2011, e que a proposta ideal de troca da base de contribuição patronal à previdência social em relação ao setor de confecção girava em torno de 0,7% a 0,8%, enquanto o governo entendia que o valor adequado era de 1,5%. Após uma longa reunião e consultas a empresários do setor, a taxa acordada ficou em 1% sobre a folha de pagamento e, desde então, a entidade vem medindo os resultados, considerando-os positivos, mas não eficazes sozinhos.
Fazendo uma análise bastante sintetizada, Pimentel lembra que 2011 foi o último ano em que a indústria têxtil e de confecção pagou a contribuição patronal previdenciária de 20% sobre a folha, resultando num montante de R$ 2,5 bilhões. Em 2013, o primeiro ano em que ambos os setores pagaram integralmente o mesmo tributo a 1%, a arrecadação foi de R$ 2,3 bilhões. Em termos nominais, a redução na arrecadação aos cofres públicos foi de R$ 200 milhões. Contudo, corrigindo o valor da moeda em 10% nesse período, só para simplificar, para valores atuais, o valor pago em 2011 seria de R$ 2,75 bilhões e, abatendo os R$ 2,3 bilhões pagos em 2013, seria menos R$ 450 milhões para o governo.
Mas a contribuição federal total ainda inclui imposto de renda de pessoa jurídica, contribuição social sobre lucro líquido, PIS e Cofins, que, reunidos, somaram R$ 6,9 bilhões para o governo em 2011 e R$ 7,3 bilhões em 2013. Usando o mesmo critério de correção monetária, o valor efetivo arrecadado em 2011 seria de R$ 7,6 bilhões.
“Então, mesmo com essa desoneração, o setor continuou aumentando sua arrecadação. Nesta conta que aqui está, a renúncia, digamos assim, cai para R$ 300 milhões a menos para o governo. Ocorre que as importações passaram a pagar 1% sobre o valor das mesmas, então, na verdade, o setor, além dos R$ 2,3 bilhões pagos de contribuição patronal à previdência em 2013, teve mais uns R$ 150 milhões decorrentes da taxação da importação. Então ele pagou R$ 2,45 bilhões, arrecadou esse valor por conta de sua estrutura. Na verdade, a diminuição da arrecadação do governo foi bastante inferior àquela que originalmente estava se prevendo, ao mesmo tempo em que trouxe o benefício para a indústria”, pondera Pimentel.
“A indústria já enxergava e vinha lutando para que houvesse uma antecipação do sistema que iria viger após 31/12/2014, pois isso é fundamental para que as empresas possam se estruturar em seus modelos de negócios.
Isso foi atendido na medida em que a presidente, em maio, garantiu que será uma política perene. Agora, temos de ver de que forma isso vai para o Congresso. De qualquer maneira, nós da Abit fizemos duas sugestões ao governo: a primeira é que o valor percentual a ser pago seja aquele originalmente proposto por nós, de 0,7% a 0,8%; a segunda é que o regime possa ser optativo dentro da própria cadeia que está desonerada, ou seja, a empresa poderia aderir ou não a esse modelo, de acordo com suas necessidades”, afirma. Além disso, também foi solicitada a inclusão das lavanderias industriais nesse benefício, mas, no momento, o governo não está aberto a novas incorporações.
Para o economista Thiago Biscuola, a desoneração paliativa deu certo fôlego às confecções, mas seu efeito não foi suficiente para garantir um ganho de competitividade que fizesse frente à volúpia dos importados. Além dos encargos trabalhistas, que na China, por exemplo, giram em torno de 12% do salário e aqui, mesmo com a desoneração da folha, ultrapassam 100%. Quem consegue crescer dessa forma?
Na opinião de Ricardo Martins, do Ciesp Leste, devemos ainda observar que, no setor confeccionista, muitas grandes empresas já haviam terceirizado diversos de seus processos produtivos, reduzindo efetivamente o custo de mão de obra e, dessa forma, o ganho esperado pela desoneração pode não ter um impacto tão significativo na redução de custos. “Mas há de salientar-se ainda que, qualquer que seja a iniciativa no sentido de reduzir a carga tributária, principalmente aquela relacionada ao custo de mão de obra, é benéfica, mas não suficiente para garantir perspectivas melhores à indústria brasileira.”

O IMPACTO NAS EMPRESAS
 
As consequências dessa política econômica sem direções definidas impactam diretamente o dia a dia das confecções, e mesmo uma de grande porte, como a Fakini Malhas, de Pomerode (SC), sente seus efeitos. Francis Giorgio Fachini, diretor comercial da empresa, diz que a situação é bastante frágil, com forças puxando para lados opostos: enquanto o governo se preocupa somente em arrecadar, o mercado consumidor está cada vez mais ávido por preços baixos e consumo conservador. “Vivemos num falso mar de otimismo, ora amenizado pela Copa do Mundo, ora ofuscado por eleições. Vemos um 2014 bastante delicado”, diz Francis. Ele explica que, para este ano, dentro da empresa, o crescimento é moderado, com muita cautela, e não prevê grandes avanços. “Temos trabalhado constantemente em revisão de custos e de processos internos, a fim de não aumentar nossos preços de venda, além de buscar novas soluções em matérias-primas, insumos e serviços prestados por terceiros”, revela.
Para Júnior Lorensini, diretor da Le Rêve Jeans, que faz parte do Grupo Loors, localizado em São Jorge do Patrocínio (PR), detentor das marcas Loors e Le Rêve Jeans, a desoneração no setor foi benéfica, por se tratar de um ramo que utiliza muita mão de obra em sua produção, e trouxe bons resultados para o grupo, mas o verdadeiro resultado efetivo será sentido somente em longo prazo. “A indústria não consegue arcar com os investimentos necessários para suprir a demanda doméstica e aumentar sua produção”, ressalta.
Flávio Feres, diretor de marketing da Vestem, grife paulistana de moda fitness, diz que a empresa nasceu justamente em 2011, ano do anúncio da desoneração, então, ainda não conseguiu mensurar essa mudança. “Mas esperamos que esse incentivo nos beneficie o mais breve possível, já que a Vestem está com planos de expansão da marca”, conta.
E, se a produção na confecção sofre, o setor de maquinário se torna altamente sensível. Há mais de 25 anos no mercado, a Sun Special, que fornece máquinas de costura para empresas de todos os portes, vê na falta de uma política interna de proteção à indústria e na crescente entrada de vestuário importado um sentimento de incerteza para os confeccionistas, que têm postergado seus investimentos na troca de equipamentos para aumentar a produtividade. “É importante os sindicatos e órgãos responsáveis estarem discutindo ou criando fóruns com o objetivo de avaliarmos aonde chegamos e aonde vamos chegar. Hoje é muito fácil notar que há muito mais roupas expostas nas lojas com etiquetas da China. Isso é ruim, pois desestimula as empresas a produzir, ocasionando o encerramente de atividades e, com isso, menos pessoas ocupadas”, finaliza Ethiane Ribeiro, diretora-executiva da Sun Special.